
O patrimônio financeiro das famílias francesas continua a crescer, com um aumento de +2,7 % no final de 2025 em relação a 2024. Essa progressão oculta uma tendência de fundo: os poupadores privilegiam os suportes defensivos (poupanças, depósitos, fundos em euros) em detrimento de ativos mais dinâmicos.
Paralelamente, a lei de finanças de 2026 modificou vários dispositivos fiscais que até agora estruturavam as estratégias patrimoniais. Otimizar a gestão do seu patrimônio agora supõe compor com um quadro regulatório em movimento e arbitragens menos evidentes do que há alguns anos.
Lei de finanças de 2026: o que muda para a fiscalidade patrimonial
Dois mecanismos muito utilizados pelos detentores de patrimônio profissional foram endurecidos. O regime de aporte-cessão impõe agora um quota de reinvestimento elevado de 60 % para 70 %, e a duração de conservação para o donatário passa a ser de seis anos. O pacto Dutreil, que permite uma isenção de 75 % sobre a transmissão de empresas familiares, exige um compromisso individual estendido para seis anos, totalizando oito anos.
Esses ajustes dizem respeito primeiro aos chefes de empresa que estruturam a cessão ou a transmissão de sua atividade. Por outro lado, eles também modificam indiretamente o calendário de toda estratégia patrimonial envolvendo uma holding, uma vez que as janelas de saída se alongam.
Outra novidade: uma taxa de 20 % sobre ativos suntuários (iate, veículos de luxo, obras de arte) alojados em certas holdings patrimoniais. Este ponto, raramente abordado nos guias de grande público, muda a situação para os lares que utilizavam essas estruturas como envelopes de otimização. Recursos especializados permitem acompanhar essas evoluções, como a página: https://mk-finance.fr/ que trata de gestão patrimonial e de consultoria financeira.

Alocação patrimonial defensiva: vantagem ou obstáculo a longo prazo
A ascensão dos livros regulamentados e dos fundos em euros reflete um reflexo de prudência. O seguro de vida em euros e a poupança para aposentadoria também estão em crescimento, confirmando essa orientação defensiva.
No que diz respeito à preservação do capital, essa posição cumpre seu papel. O rendimento real (após inflação) desses suportes permanece baixo, e a questão se coloca de maneira diferente dependendo do horizonte de investimento.
O perigo de uma alocação muito concentrada em livros
Um patrimônio majoritariamente composto por livros e fundos em euros sofre uma erosão lenta, mas regular, em termos de poder de compra. Para um horizonte de cinco a dez anos, a diversificação para ativos com rendimento superior se torna uma arbitragem a considerar, mesmo para perfis prudentes.
Os retornos de campo divergem sobre esse ponto: alguns consultores constatam que os poupadores que migraram para suportes mistos (unidades de conta, SCPI) desde 2023 apresentam desempenhos líquidos superiores, enquanto outros destacam a volatilidade aumentada e as taxas de gestão que corroem a diferença de rendimento.
SCPI em 2026: rendimento, liquidez e estratégia internacional
As SCPI continuam a ser um veículo de investimento imobiliário indireto valorizado. As estratégias de investimento em 2026 se voltam mais para o internacional, com aquisições fora da França que permitem captar rendimentos locativos mais altos e beneficiar de convenções fiscais vantajosas.
As novas SCPI lançadas nos últimos anos apresentam perfis de risco variados. Antes de subscrever, vários critérios merecem atenção especial:
- A taxa de distribuição histórica e sua regularidade ao longo de três a cinco anos, em vez de um rendimento apresentado em um único exercício
- A liquidez do mercado secundário: algumas SCPI de escritórios enfrentam prazos de revenda prolongados desde a crise do segmento terciário
- A diversificação geográfica e setorial do portfólio subjacente, que reduz a exposição a um único mercado
Os dados disponíveis não permitem concluir que todas as SCPI atravessam a mesma situação. As SCPI diversificadas internacionalmente resistem melhor do que aquelas concentradas em escritórios da região de Paris, mas cada veículo apresenta um perfil de risco próprio.

Transmissão de patrimônio: antecipar os novos prazos
O alongamento dos compromissos de conservação no âmbito do pacto Dutreil impõe repensar o calendário de transmissão. Um dirigente que previa transmitir sua empresa em um horizonte de cinco anos deve agora integrar oito anos de compromisso total para a isenção Dutreil.
Essa restrição temporal tem efeitos concretos: ela retarda a liquidez do patrimônio transmitido e limita a capacidade do sucessor familiar de reestruturar rapidamente a empresa. Para patrimônios mistos (profissional e pessoal), a coordenação entre a transmissão da empresa e a doação de bens privados torna-se mais complexa.
Doações e desmembramento: duas ferramentas complementares
O desmembramento de propriedade continua a ser um alavanca de transmissão eficaz, mesmo após os ajustes de 2026. Doar a nua-propriedade de um bem enquanto se conserva o usufruto permite reduzir a base tributável, desde que sejam respeitadas as deduções em vigor e que as doações sejam planejadas com antecedência suficiente.
- A doação em nua-propriedade beneficia de um desconto relacionado à idade do doador no momento do ato
- As deduções se reconstituem a cada quinze anos, o que favorece uma estratégia de doações escalonadas
- O desmembramento temporário também pode se aplicar a partes de SCPI, combinando transmissão e rendimentos diferidos
A gestão de patrimônio em 2026 se distingue por um quadro fiscal mais restritivo e horizontes de detenção alongados. As arbitragens entre segurança e rendimento dependem intimamente da situação pessoal, da idade e dos objetivos de cada um. Toda estratégia patrimonial ganha a ser revisada regularmente, ao menos a cada mudança legislativa significativa, para evitar sofrer regras pensadas para outras configurações que não a sua.